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Em Cuiabá, comunistas tomam cerveja para pagar as contas

03/11/2017

Militantes de esquerda em Cuiabá criaram a "Proletária", feita para arrecadar fundos a associações políticas

Escrito por: Lázaro Thor Borges, da Redação O LIVRE

Há cerca de 15 dias Silvio Cardoso recebeu um desafio. O servidor público de 34 anos, um comunista inveterado, foi convocado a uma tarefa cujo sucesso ou fracasso responderia pela sustentabilidade do seu grupo político, a Associação de Amigos e Amigas do Centro de Formação Olga Benário Prestes (Aamobep).
 
Não, não estamos falando de uma movimentação guerrilheira em Mato Grosso. Em Cuiabá, os comunistas tomam cerveja para pagar as contas. Pelo menos foi assim no dia 21 de outubro deste ano, quando a cerveja Proletária, produzida por Silvio, apareceu pela primeira vez.
 
Cerveja Proletária
 
A cerveja Proletária é uma bebida artesanal do tipo hop pilsen, mais leve e com mais lúpulo
A bebida foi vendida para arrecadar fundos à Aamobep, durante o “Escondidinho do MST”, evento organizado por militantes de esquerda em Cuiabá. A Proletária foi produzida especialmente naquela ocasião, a pedido da associação.
 
A cerveja, que é do tipo hop pilsen, foi comercializada em garrafas de 300 mililitros por R$ 7,50 cada uma. O estoque de 20 litros acabou nas primeiras horas de festa.
 
“A cerveja não é um elemento politicamente neutro. Você tem no mercado, por exemplo, cervejas como a Burguesa, e se for pesquisar vai até encontrar rótulos com o nome “Opressora”; então nós decidimos fazer o contraponto”, explicou Silvio Cardoso, que chamou atenção pelo apelo sexual muitas vezes machista nesses produtos. 
 
Silvio não revela quanto foi arrecadado com as vendas, mas se diz satisfeito por ter ajudado os companheiros. Na ocasião, o servidor cobrou apenas pelos insumos e o restante foi integralmente revertido à associação.
 
A escolha do rótulo da Proletária, com fortes tons de vermelho e preto, foi feita por meio de votação online. O rótulo  campeão venceu de forma apertada, com  44% dos votos contra 32% do segundo colocado. A bebida é um esforço conjunto de todos os integrantes da Aamobep. “Eu ajudei com o meu conhecimento de produção, mas a marca não é minha”, esclarece Cardoso.
 
Produção artesanal
 
A relação entre Silvio e as cervejas artesanais começou há um ano, quando ele participou de algumas aulas no curso de Ciência e Tecnologia de Alimentos da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), onde trabalha. 
 
Em tempos de disputa entre mortadelas e coxinhas, o melhor acompanhamento, segundo Silvio, é a Proletária. O funcionário público não nega seu posicionamento político. “A proposta da cerveja é alinhada à minha ideologia”, admite.
 
Ao mesmo tempo, garante que sua principal crítica à produção industrial da bebida é menos sobre a exploração dos trabalhadores e mais sobre a qualidade do produto oferecido pelas grandes cervejarias.
 
“A cerveja artesanal é diferenciada porque tem um padrão de qualidade que as cervejarias industriais deixaram de seguir. A quantidade de cevada em uma cerveja artesanal é três vezes maior do que nas outras”, comenta.
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